segunda-feira, 17 de julho de 2017

O professor José Francisco Caninhas

Mal me recompus da partida do Prof. José Francisco Caninhas porque este nosso patrício tinha um vasto leque de projectos sobre Alcochete para concretizar ao longo da merecida aposentação.
Um desses projectos ordenava-se à investigação da vida de Ciprião de Figueiredo (séc. XVI) para a biografia de um dos maiores filhos de Alcochete que fez frente a Filipe II a partir da Ilha Terceira.
Comigo, José F. Caninhas está ligado desde a publicação do livro de poemas Luz à Dor (1996) até ao lançamento do 1º vol. de As Festas aí Estão (2016), obra monumental deste insigne professor de Matemática.
José F. Caninhas, um dos poucos homens de saber em Alcochete, lutou sempre a favor das nossas mais lídimas tradições... contra aqueles que querem impor a morte da inteligência e instalar o reino da escuridão.
Na esfera do cristão consciente, José F. Caninhas partiu a saber que a Igreja caminha sobre um delgado fio de arame, mas que, por fim, Cristo triunfará. Eis a convicção profunda deste alcochetano incontornável que abriu a inteligência e a vontade às exigências do bem.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Festas aí estão!

Ao meu colega de profissão e amigo Prof. José Francisco Caninhas

As Festas do Barrete Verde e das Salinas, promovidas de ano a ano, em Agosto, pelo Aposento do Barrete Verde, associação fundada para esse fim em 1944, são um factor de união e revigoramento do povo alcochetano.
De algum modo herdeiras das Festas de Nossa Senhora da Vida, levadas a cabo pela última vez em 1935, as Festas do Barrete Verde e das Salinas, cujo mentor incontornável foi o alcochetano José André dos Santos, visam adequar essas tradicionais celebrações à nova realidade política do País, depois de três décadas de República.
Não há festa que perdure se não assentar em símbolos que radiquem no coração das pessoas... no caso concreto das Festas do Barrete Verde e das Salinas... no coração dos alcochetanos.
José André dos Santos, num rasgo de génio de máxima felicidade, pensou no Forcado e no Salineiro, ambos erguidos a património autêntico do povo alcochetano.
O Forcado é exemplo de coragem, nome mais comum para a virtude cristã da Fortaleza, sem a qual é duvidoso que o homem possa apelar à liberdade e justiça.
O salineiro encarna o valor do trabalho arvorado em centralidade pela ordem burguesa definitivamente consolidada em Portugal.
Estes dois ícones, ao fim e ao cabo, são um só, porque a coragem do Forcado é uma força que atinge o pico mais alto no sacrifício do Salineiro.
Aqui surge uma questão... tão marginal quanto falsa.
Ouve-se dizer com alguma insistência que salinas e salineiros estão a acabar. As pessoas interrogam-se: "como será depois?".
Ora o Salineiro, no contexto das Festas do Barrete Verde e das Salinas, é uma representação... um símbolo, escolhido por ser um dos trabalhadores que ganhava o pão para a boca, sua e dos seus, com esforço mais que humano.
Portanto, o Salineiro poderá sempre ser homenageado na figura física de um filho, de um neto... de qualquer alcochetano reconhecidamente merecedor dessa homenagem.
Finalmente, embora possamos dizer, sem forçar muito a realidade, que de Alcochete se vê Lisboa e que o Alentejo fica à distância de meia hora de automóvel, a verdade é que o alcochetano não é alfacinha nem alentejano. O alcochetano é ribatejano.
Assim, a homenagem à figura do Campino justifica-se plenamente por ser uma reclamação geográfica e cultural, uma vez que há forcados e salineiros em todo o Portugal e até além fronteiras, mas campinos só no Ribatejo.

sábado, 1 de julho de 2017

Alcochete e cabeças-de-lista a eleições

Antes de começar a escrever o que me proponho, devo dizer que este meu texto não está subordinado às minhas convicções políticas graças a Deus bem definidas, mas a uma análise objectiva de factos.
Escrevo pela ordem seguinte: PCP, PS e Coligação local PSD/CDS.
No dia da apresentação do candidato comunista à população, o barulho que ouvia dentro da minha casa era muito. Fui ver. O número de pessoas à frente do estrado não seria considerado o desejável pela candidatura em foco. Mas isto, tratando-se de comunistas, poderá não querer dizer muito. Seja como for, o José Luís Alfélua, se for o próximo presidente da Câmara de Alcochete, não é para mandar, mas para ser mandado pelo PCP. A ideia de que não é assim cai na ingenuidade política. O próprio Luís Franco, licenciado em Direito, foi um presidente mais virtual que real.
Fernando Pinto é um candidato a presidente da Câmara de Alcochete com garra. Tem voz. É socialista sem deixar de ser alcochetano.
A coligação local PSD/CDS parece encarar as coisas como se fossem favas contadas. Se o que digo tem alguma pertinência, o resultado poderá não ser tão bom como o merece Vasco Pinto, o cabeça-de-lista. Urge correr atrás de cada eleitor, por todas as freguesias do concelho, a convencer as pessoas contra os papões lançados pelos comunistas sobre as populações. No dia 30/06/2017, na Igreja da Misericórdia de Alcochete, Maria Luís Albuquerque e Nuno Magalhães bem desmascararam a mentira comunista para quem os quis ouvir.
Haverá ainda uma outra candidatura... mas sobre essa não me pronunciarei... porque uma aberração. Aberrantes são as pessoas que se servem ou possam vir a servir-se de um videirinho. Aqui, remeto para o texto em baixo "Um videirinho às autárquicas em Alcochete" de 7 de Junho/2017.



sábado, 24 de junho de 2017

Manuel Tiago é Álvaro Cunhal




Acima de tudo, dois pressupostos: a) não há absolutamente qualquer compatibilidade entre mim e o líder comunista Álvaro Cunhal e b) na análise a seguir tenho que ser intelectualmente honesto se não quero falsificar a minha posição de professor de Língua e Literatura portuguesas.

Desde já há muito tempo que venho pensando ler, ao menos, uma obra de Álvaro Cunhal. A oportunidade surgiu este mês quando encontrei, na feira realizada no Rossio de Alcochete, o livro Manuel Tiago, A Casa de Eulália, Edições Avante, Lisboa, 2002.
O texto está dividido em oito capítulos e estes em sub-capítulos: os números romanos são usados para os primeiros e os árabes para os segundos.
Os sub-capítulos são curtos. Também, lógica e predominantemente, as frases são curtas, seguindo-se umas às outras como rajadas de metralhadora. Veja-se esta pequena transcrição que faço da pág. 36, obra citada: «Caíam feridos de um e outro lado. Aqui e além prostrados no chão. Os combatentes não paravam para os socorrer. Seguiam adiante prosseguindo o avanço. Outros viriam ajudar os feridos». 
Aqui convém fazer uma chamada de atenção: as frases e textos curtos não diminuem o valor artístico nem a respectiva complexidade da obra cuja história de inocente não tem nada. É que estamos perante um texto literário que não deixa de ser um manifesto político.
O grande cenário desta narrativa é a guerra civil em Espanha. Madrid é a charneira e está nas mãos dos revolucionários.
O leitor verifica, a cada capítulo, que o partido sobrepõe-se, inexoravelmente, ao indivíduo. A este não são permitidas tergiversações, o que pode ser ilustrado pelo que se lê na pág. 174, obra citada: «Pensou, pensou e acabou por concluir que no fim de contas era o partido que colocava a questão e ele, como membro do partido, não devia recusar. Chegado a tal conclusão, começou a agir».
Os comunistas são os bons; os fascistas os maus. Esta dicotomia parece impedir o autor de ver que comunismo e fascismo são dois totalitarismos que não se separam, embora se devam distinguir: na verdade, o último (nacionalista) surgiu para combater o primeiro (internacionalista).
Nunca se ouviu dizer que o comunismo é uma ideologia do povo (uma cultura), mas sim de massa (mole informe). Eis por que no decurso do discurso não convém fazer distinção entre os dois conceitos. Repare-se neste passo da pág. 40, obra citada: «Com fogo cerrado de espingardas, o povo tinha cortado as estradas e descia pelas vertentes, fazendo recuar as tropas que, sob as ordens de oficiais fascistas sublevados, tinham saído dos quartéis para conquistar Madrid. António e Manuel avançavam com os outros, seguindo comandantes surgidos espontaneamente das massas».
As mulheres não deixam de fazer história nesta história. Madrecita é o elo de todos os hóspedes da sua casa, inclusive favorável ao enlace amoroso entre a sua filha Eulália e o português Manuel, um dos protagonistas.
A casa de Eulália é, simbolicamente, a grande casa ibérica que se consubstanciaria na união de Portugal e Espanha. Esta é a proposta do autor, velha como velhos são os problemas dos portugueses.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Um videirinho às autárquicas em Alcochete?

Sabemos há já algum tempo que a nível das próximas eleições autárquicas, em Alcochete, os comunistas vão concorrer à Câmara com José Luís Alfélua, os socialistas com Fernando Pinto e a coligação PSD/CDS com Vasco Pinto.
Francamente que esfrego as minhas mãos de contentamento... porque é agora que, pela primeira vez, se poderá ver a real força do comunismo em Alcochete.
Mas entretanto, também recordo com tristeza, que desde o 25 de Abril/74, havendo inicialmente motivo para entusiasmo, depressa vem um balde de água fria que tudo estiola.
Aparecerá um videirinho a concorrer às próximas eleições autárquicas que retirará votos à coligação e aos socialistas para se viabilizar a si e aos comunistas?
Para mim, um homem desses só vem baralhar o painel das candidaturas aos órgãos autárquicos nas próximas eleições locais.



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domingo, 4 de junho de 2017

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Casa, busto e foto do Padre Cruz


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Em cima vemos a casa construída no Rossio de Alcochete, segunda metade do séc. XIX, por Manuel da Cruz, pai do Padre Cruz.
O quarto do rés-do-chão assinalado com um X por cima era o do Padre Cruz.
O busto está, hoje, no Centro Paroquial Padre Cruz.
No dia 20/Jan./2016, aqui neste blog, defendi a criação de um museu em Alcochete sobre o Padre Cruz. Hoje, não sei bem se tal ideia tem assim tanta pertinência!
O postal em cima fez-me ver que Alcochete é um museu a céu aberto sobre o Padre Cruz. Eis as três igrejas (Matriz, Nossa Senhora da Vida e Misericórdia) onde o Padre Cruz celebrou a Santa Missa, pregou, baptizou e confessou; o Largo de São João Baptista onde se ergue ao centro a estátua do Padre Cruz; a toponímia (Rua Padre Cruz e Praceta Padre Cruz); a Rua Senhora Sant'Ana onde o Padre Cruz nasceu; o Rossio onde o Sr. Manuel da Cruz construiu um casarão para a sua família já numerosa. 
Não pretendo que esta listagem esteja completa, mas ela já é suficiente para nos convencer de que o verdadeiro museu sobre o Padre Cruz é a terra de Alcochete.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Uma ideia para Alcochete

Depois do lançamento do meu livro O Padre Cruz - Caminheiro, veio-me à ideia que músicos, guitarristas, fadistas, forcados, pintores, escritores, artesãos, arquitectos, etc., desta terra de Alcochete se poderiam reunir num grande congresso.
O objectivo é dar o nosso contributo para a liberdade, uma vez que esta só pode ser conseguida e mantida com a união de todos os homens e mulheres de boa vontade.
Para esta ideia poder contar comigo, não nos meteríamos com o poder político local, pois é uma contradição pretendermos defender a liberdade de mãos dadas ao comunismo.
É evidente que se precisássemos de uma sala, poderíamos solicitá-la à Câmara ou Junta de Freguesia, pois somos munícipes e contribuintes. Mas mais nada.
Nesse congresso, cada artista poderia e deveria falar no que pensa para que Alcochete seja um concelho verdadeiramente moderno entre os conselhos mais modernos de Portugal.
Por exemplo, eu estaria disposto a fornecer a todos os interessados técnicas auxiliares para a criação de poesia e narrativa.
A ti, que me estás a ler e és artista, te pergunto: que poderias dar ao outro?

sábado, 27 de maio de 2017

Miradouro Amália Rodrigues


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Desde o 25 de Abril/1974, aprendi que este tipo de outdoors, levantado na vila a escassos meses de eleições autárquicas, pode ser muito útil em termos de notícia futura. Nesta conformidade, fica aqui on standby.

domingo, 21 de maio de 2017

Um caso de saúde pública em Alcochete

Nestes últimos dias, agarrados ao exterior da minha porta que dá para a rua e é branca, tenho verificado miríades de pequenos insectos cujo nome não sei, sem estar muito preocupado com esta minha ignorância.
Mas hoje, especialmente, fiquei agastado porque, depois do almoço, quando fui tomar o cafezinho, esses ditos insectos agarraram-se à minha camisa branca, parando eu a marcha e pousando a pasta no chão contra as pernas para, de mãos livres, os sacudir com alguma agitação.
Pergunto: não haverá relação nenhuma entre o que acabo de relatar e a saúde pública?
Claro que há.
Competirá à Câmara Municipal de Alcochete saber qual o foco ou focos de irradiação deste mal e cortá-lo pela raiz.
Ou será que a vida destes insectos tem mais importância que a dos munícipes?

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Esperança

Despreza a razão
O fumo do mal,
A grande aflição
Do mundo afinal.

Revolta tremenda
De vil criatura
Privada de emenda
Por densa negrura.

Ameaça sofrida,
A barca balança.
Em noite perdida
Valeu a esperança.

A virgem Maria,
Vestida de sol,
Do homem a guia,
Será o farol.

Para o Cristianismo, o morto não é o cadáver mas o monte de carne a dar à pata. Este monte de carne não está em condições de lutar contra a tirania porque está privado do Transcendente. Ora um homem privado do Transcendente está privado de si.

O homem sem lá,
De vida sumida,
Apenas de cá,
É carne morrida.

É carne morrida,
Um monte de nada,
Palavra fingida
E sempre gamada.

E sempre gamada,
Do mundo a razia,
De cima tramada
Por vil tirania.

Por vil tirania,
Algoz do mendigo,
Barriga vazia
À roda consigo.

Versos de jmarafuga

sábado, 6 de maio de 2017

Marxismo cultural

O marxismo cultural está contra o cristianismo, a tradição, a família, a propriedade, a liberdade.
O marxismo cultural inverte a ordem do ser porque defende que a questão fundamental da Filosofia é a relação entre o pensamento e o ser, sendo este último a matéria.
O marxismo cultural vê no futuro a certeza e no passado a incerteza, razão por que se abalança a reescrever a História.
O marxismo cultural está a favor de todos os socialismos, do ambientalismo (religião idolátrica), do feminismo mais radical, do homossexualismo, da ideologia de género (fim do conceito jurídico de homem e mulher), do desconstrucionismo (rebentamento das pontes entre as várias linguagens e a realidade), das formas de arte mais tresloucadas (música, teatro, cinema, pintura, literatura, etc.).

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Nossa Senhora de Fátima

O Senhor mandou a mãe
À fala sobre a azinheira,
Haste eleita do Além,
A novíssima bandeira.

A novíssima bandeira
Para toda a Cristandade,
Evangelho à terra inteira
Em defesa da verdade.

Em defesa da verdade
E mentira contra o chão
A favor da liberdade
Que nos traga a salvação.

Que nos traga a salvação,
Plenitude desta vida,
Do Altíssimo a visão
Para a última partida.

TRINDADE

O mistério da Trindade
Dito assim vulgarmente,
Minha grande realidade
E de tudo quanto à frente,
Unirá capacidade,
Aptidão assaz potente,
À sabida actividade
Pela força bem presente
Da terceira faculdade,
Meu querer seguramente,
Que por nome tem vontade.
Vejo agora de repente
A feitura e unidade
Semelhante e tão premente
À Santíssima Trindade.

PORTUGAL

Ao meu povo sofrido
Vou cantar pela estrada,
Vagabundo fugido
Da mentira tramada.

Da mentira tramada,
A razia da gente,
Fumo e terra queimada
Por doutrina indecente.

Por doutrina indecente
E verniz da verdade
P'ra levar imprudente
A cair na maldade.

A cair na maldade,
A entrar no inferno,
Servidão sem idade
Igual a fogo eterno.

ABAIXO A TIRANIA

Aquele mendigo,
Calvário alongado,
Me deixa comigo
Aflito e magoado.

Mendigo também
Eu sou do Senhor,
Essência d'Além
Por força do Amor.

Aqui a razão
Da luta tenaz
Virada ao irmão
A rumo da paz.

Versos de jmarafuga