segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Política e trágico equívoco de muitas pessoas

Muitas pessoas pensam que política é uma piscadela de olhos, uma palmada nas costas, beijinhos, sorrir por sorrir, rir por rir, falar por falar, saudar este e ignorar aquele, encostar-se a este e afastar-se daquele, superiorizar-se a este e inferiorizar aquele, dar ares de inteligente e entendido, escrever no Facebook um texto cheio de lugares comuns, carregar umas cadeiras daqui para acolá...
Em resumo, muitas pessoas pensam que política é safadeza... resolução de frustrações particulares, nomeadamente as económicas.
Eis por que não suportam e chegam a temer quem pense que política é esquecimento de si e lembrança do outro.

domingo, 17 de setembro de 2017

Fernando Quintela

De salto p'rà arena,
A morte a teu lado
A puxar faena
Para triste fado!

Ela ri-se à espreita
Do lance fatal.
Não liga à desfeita
Forcado imortal.

A morte levou
A vida e fulgor.
Exemplo ficou
De grande valor.

Roga a Deus coragem,
O condão seguro
De sã forcadagem
P'ra todo o futuro.

Versos de jmarafuga




sábado, 16 de setembro de 2017

Comunismo e monstros

Hoje, os comunistas montaram um palco negro e monstruoso mesmo em frente à Igreja Matriz de Alcochete, ficando este edifício completamente tapado e prejudicada a festa de quem se baptiza e casa.
Em Alcochete, este cenário é criticado, inclusive, quando, uma vez ou outra, o faz as Festas do Barrete Verde e das Salinas.
Desde o 25 de Abril, não me lembro de algo semelhante em período de eleições autárquicas.
Só depois destas eleições é que veremos cabalmente o que, afinal, está por trás de tudo isto.
Por mim, tenho uma certeza: nada vai ficar como dantes.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Robinson Crusoe


Desde a juventude que tenho na cabeça a ideia de que Robinson Crusoe de Daniel Defoe (1660-1731) é uma história para miúdos.
No entanto, também desde a juventude, me tem surpreendido o facto de que muitas das obras filosóficas lidas ao longo de décadas se referiam a Robinson Crusoe para ilustrar este ou aquele pensamento. Isto me fez tomar a resolução de ler o livro de Daniel Defoe.
Agora sei que Robinson Crusoe não é para miúdos porque estes não o podem compreender, mas para graúdos e nem todos (perdão por não ser politicamente correcto).
A obra literária Robinson Crusoe tem por alicerce a Reforma (séc XVI) em rotura com a Igreja Católica, dando-nos fé do estado nascente do capitalismo.
Robinson Crusoe rompe com o pai que se opunha ao filho «dominado apenas pela ideia de navegar...» (cap. I).
De facto, o mar é a grande porta que se abre a uma burguesia desejosa de rebentar com o colete de forças imposto pela Igreja Católica. Mas há percalços. Robinson Crusoe é feito escravo «...por um corsário turco de Salem...» (cap. I). Curioso que o nome desta cidade marroquina na costa atlântica evoque todo o espírito bíblico da Jerusalém celeste... espírito esse que tem por centro a justiça.
Robinson Crusoe  ilude o amo e recupera a liberdade, levando-o uma série de peripécias incríveis ao Brasil. Aqui, dispondo de alguns bens de capital, investe em plantações de tabaco e cana-de-açúcar: «No terceiro ano plantámos tabaco e no seguinte preparámos um grande terreno para plantar cana-de açúcar» (cap. II).
Mas, aparentemente, Robinson Crusoe esquece a lição que tinha recebido em Salem da Berbéria: «...à medida que os negócios e a riqueza aumentavam, a minha cabeça começou a encher-se de projectos e empreendimentos superiores às minhas forças...» (cap. II). Seduzido por plantadores e comerciantes, Robinson Crusoe vai à Costa da Guiné obter «...negros para o serviço das culturas brasileiras em troca de bagatelas como colares, facas, tesouras, machados, pedaços de vidro e outros objectos que tais» (cap. II).
É aqui que convém lembrar o leitor de que nos focamos num texto literário, portanto simbólico. Isto esquecido, nada se pode perceber do Robinson Crusoe.
O conceito de comércio livre não se harmoniza com a escravatura. Se a dinâmica capitalista só é possível entre pessoas livres proprietárias de bens para troca, como se poderia articular logicamente com a escravatura? Eis por que a busca de escravos, no decurso do discurso, fracassa.
Fracassa porque Robinson Crusoe naufraga, todos se perdem, só ele se salva... arremessado pelas ondas para uma ilha deserta, quer dizer, desabitada. Mas, atenção, esta ilha não está no mapa porque é a grande metáfora ou alegoria de cada um de nós... sempre sozinho perante a problemática da salvação.
É assim que a personagem Robinson Crusoe sofre uma profunda metanóia, isto é, uma profunda mudança de sentimentos ou, - digamo-lo - um profundo arrependimento, deitando mão a toda a formação cristã recebida no seio familiar desde a infância. Mas... não tenhamos ilusões: é a perspectiva calvinista que está em jogo. Deus, por força da presciência, sabe se me salvo ou condeno. O que eu quero é salvar-me. Mas como saberei se estou salvo? Calvino responde: trabalha sem cessar que Deus misericordioso dar-te-á o sinal da tua salvação. Ora este sinal corresponde à prosperidade do batalhador. Eis o que a burguesia quis ouvir, voltando costas à Igreja Católica; eis o que preteriu o Brasil a favor dos Estados Unidos da América; eis o que, feito do meio um fim, poderá precipitar o homem na total escravidão. Regressaríamos então à estaca zero, quero dizer, ao princípio de Robinson Crusoe de Daniel Defoe.  



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Turismo e Alcochete

Em termos de Alcochete, falar de turismo é focar sobretudo a restauração. Esta é pouco mais que a Rua Direita e assenta muito em esplanadas.
De seguida deve referir-se o Tejo cujo estuário é propício a diversos desportos náuticos e - diria - quase uma marina natural. Infelizmente, não se tem feito a promoção conveniente desta dádiva única à nossa terra na esfera económica.
Vem a propósito a praia fluvial, mas aqui, para se melhorar este recurso, Alcochete sozinha nada pode fazer.
Outro aspecto confrangedor é o acesso da vila de Alcochete à Freeport que está pouco acima de um caminho de cabras. Não seria possível que Câmara e Freeport congregassem esforços para se melhorar esta terrível situação?
O que está visceralmente contra o incremento do turismo é a destruição das características arquitectónicas dos lugares que fazem a memória dos alcochetanos. O turista não vem a Alcochete para ver o mamarracho do Moisém ou a desfiguração que se está a fazer no Largo do Poço e outros lugares.
Finalmente, a figura do Padre Cruz poderia ser encarada pelo poder autárquico como alavanca a favor do turismo, tanto mais que a vila de Alcochete já é um museu deste santo a céu aberto. Ele, o Padre Cruz, que há mais de cem anos disse: " o turismo é o futuro de Alcochete". 


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Sobre um dito filme que dizem apresentar Jesus como gay

Na minha juventude, para evitarmos a gíria paneleiro, dizíamos invertido. Hoje, eu penso que este termo é felicíssimo... porque se adequa bem à realidade.
Também o filme, cujo nome - dizem - é Corpus Christi, se revelará uma inversão do Evangelho, mensagem fundadora de uma civilização que dá resposta à homossexualidade na ressurreição de Lázaro. Este amava Jesus de forma muito limitada. Ora ama Jesus quem ama a Palavra da Salvação. Com esta Jesus abana-o e fá-lo compreender que o amor que prega está infinitamente para lá do que sente por Ele o amigo. Lázaro doeu-se do abanão (a ressurreição) e virou costas a Jesus que disse: «... deixai-o ir» (Jo. 11, 44).

sábado, 9 de setembro de 2017

A pedagogia da Corrida de Toiros


A pedagogia da Corrida de Toiros choca com a natureza de um poder que se vai absolutizando cada vez mais. Esse poder fomenta a divisão para justificar e impor o autoritarismo.
Há uma grande diferença entre os aficionados da Corrida de Toiros e, por exemplo, os adeptos de duas equipas de futebol em jogo. Estes últimos estão divididos em duas claques que se confrontam... por vezes até à morte. Ora isto não é possível na Corrida de Toiros porque aqui todos se viram para um centro que é o toiro.
Neutralizadas as claques pela Corrida de Toiros, neutralizam-se os confrontos entre milhares de pessoas numa Praça de Toiros a favor da união.
Esta pedagogia do anti-autoritarismo e do anti-divisionismo da Corrida de Toiros é um quebra-cabeças para um poder político cuja vocação genética é o totalitarismo.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Candidatura de Vasco Pinto e preocupação

Há pouco visitei a página no Facebook (www.facebook.com/vascopinto2017/) da candidatura de Vasco Pinto e fiquei preocupado.
Mas afinal não é o Vasco Pinto o candidato a presidente da Câmara de Alcochete pela coligação PSD/CDS nestas eleições autárquicas?
Eu penso que sim, mas se olharmos para quem ocupa o plano central de variadíssimas fotos expostas na referida página do Facebook, ficamos com algumas dúvidas.
Não se pode excluir a hipótese de que o problema esteja nalgum estrabismo interior que eu sofra, mas também não será próprio de análise prevenida excluir absolutamente toda a pertinência das minhas palavras.
Não é por medo que eu não sou mais claro. Nunca tive medo dos comunistas nesta minha terra de Alcochete como também não tenho deste ou daquela munícipe.
Se tiver que ser mais claro... sê-lo-ei! 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Câmara comunista de Alcochete e propaganda


Clique na imagem para ver melhor

Paradoxalmente, a Câmara retirou os placards dos suportes metálicos... tanto no Moisém como na Lagoa do Láparo.
Que se passa?
A informação anterior vai ser substituída por outra de natureza diferente?
Claro que nós vamos ver... e se não for o pior... ao menos veremos a remoção das estruturas metálicas pagas pelos contribuintes.

VÊ MEU COMENTÁRIO

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A câmara comunista de Alcochete subverte a Festa Brava



Este quadro está no hall de entrada do edifício da Câmara Municipal de Alcochete.
Aqui, o elemento feminino é central, proeminente, desnudado, discretamente sensualizado e empoderado.
Para trás o toiro, diminuída representação do elemento masculino, daquela  masculinidade que a Festa Brava enaltece.
Mas aqui há um problema: muitas pessoas não conseguem ver as coisas aparentemente inocentes que os comunistas fazem hoje para destruir a liberdade dos nossos filhos e netos amanhã.

sábado, 26 de agosto de 2017

Queremos construir uma Alcochete para todos

Todos sabemos que o êxito dos aglomerados populacionais se mede pela respectiva qualidade de vida.
A qualidade de vida não se promove com o desemprego... pouco ou mesmo nada combatido em Alcochete, senão agravado, pois o poder local comunista quase acabou com a real indústria no Concelho. Esta verificação das coisas coloca sérias limitações económicas para muitos munícipes.
Outro aspecto confrangedor, pelo menos na vila de Alcochete, é o número cada vez maior de casas velhas e em ruínas. Uma ou outra destas, quando substituída por uma nova, é para escritórios ou habitação cara, o que afasta pessoas de baixos recursos, afecta o pequeno comércio e descaracteriza a vida em comunidade.
Um dos lugares da nossa terra cuja memória de infância tem sido mais subvertida é o Largo do Poço que de Verão é uma estufa e de Inverno mais parece uma charneca. 
A câmara comunista ataca a identidade cultural dos alcochetanos, por exemplo, promovendo a criminosa ideologia de género e montando, sempre que chega o Natal, um monstruoso presépio  no adro da Igreja Matriz, mas relativamente a este edifício nada faz para reparar o estado lastimoso do muro que o circunda.
O pouco que digo basta-me para concluir que Alcochete é apenas para alguns em vez de ser para todos.

Visita ao Padre Manuel Bernardes

Pessoas há que gostam do Padre Manuel Bernardes porque este oratoriano é um homem de saber quase infinito... porque o português que escreve é de lei... porque inventa metáforas fulgurantes, deita mão a antíteses bem talhadas, jorra enumerações estonteantes.
Eu gosto de Bernardes porque ele evangeliza, muito embora se trate de um autor barroco cuja maior parte da vida decorreu na segunda metade do séc. XVII.
A verdade é só uma, a mesma sobre todas as eras e lugares, razão por que eu retiro ideias de Bernardes que integro na minha conduta de vida. Ora veja-se esta pequena passagem dos Sermões e Práticas, vol. II (Imagens da Obra do Padre Manuel Bernardes, Lucília Gonçalves Pires, Seara Nova, 1978): «Enganado anda logo o mundo com o seu ser se se não desengana com o seu não obrar. Oh! conheçam os homens que, diante do ser Infinito, não há outro ser que apareça senão o das obras boas. A fé do Católico sem obras é morta; a ascendência ilustre sem obras é vaidade; o estado de perfeição sem obras é disformidade; o espírito sem obras é ilusão. Ser e não obrar vale o mesmo que não ser».
Eu sei que Bernardes esgrime contra a Reforma Protestante que apenas contava com a Fé (sola fide) para a salvação, negando as obras, isto é, tudo o que prescrevia a Igreja Católica.
Mas também sei que eu sou aquilo que faço... sem nunca esquecer que a verdade é a subordinação ao real... ou, como se lê no Evangelho, a obediência ao Pai.

sábado, 19 de agosto de 2017

A QUEDA DUM ANJO de Camilo Castelo Branco


Se Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco nos confronta, em demasia, com o tema sério de uma aristocracia perdida que por força ruirá, o «Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas...» é o protagonista perdido de A Queda dum Anjo do mesmo autor.
Mas porquê assim?
Calisto Elói só confiava nos seus livros. É a própria personagem que no-lo explica no capítulo XXV com o título de Perdido: «Conheço melhor Eurípides e Séneca. Pendi sempre à lição de clássicos gregos, latinos e portugueses. Crê-se nas províncias que o saber humano está nisto».
O que se crê nas províncias não deixa de ser respaldado pela verdade, mas esta é a mesma ao longo de todas as eras: a tradição reclama inovação, radicando esta naquela. Isto não sabia Calisto porque, embora tivesse erudição e até fosse criativo, faltava-lhe o espírito crítico para sopesar as coisas. Eis por que no capítulo XVII, In Liborium, se pode ler: «A nomeada do provinciano, [...], cobrara fama de coisa extravagante e imprópria desta geração».
Mas o que mais espanta em Calisto Elói é que esta personagem desfalca-se numa importante faculdade humana, vale dizer, a vontade. Veja-se esta passagem do capítulo XXI, O Mordomo das Três Virtudes Cardeais: «O infeliz não desfitava olhos de certa janela, desde que vira perpassar uma luz pelos resquícios das portadas. Podia a traída Teodora antepor-se aos olhos extasiados do esposo, com a pudenda touca, ou com as madeixas estreladas de brilhantes, que ele não a via nem queria ver». Esta transcrição ilustrativa poderia ser considerada insuficiente pelo leitor se antes, no mesmo capítulo, não se lesse que Calisto «viu-se no espelho que a razão lhe ofereceu e cobrou horror da sua figura».
A absurdez do deputado por Miranda ultrapassa todos os limites, desnudando o crápula da mais ínfima espécie: «Minha senhora... que vale a Pátria em comparação da honra que V. Ex.ª  me dá?!» (capítulo XXIV, A Mulher Fatal).