quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Kim Jong Un


ECCE HOMO!

O comunismo, onde quer que esteja, tende, inexoravelmente, ao poder político absoluto. O resultado é sempre uma Coreia do Norte, uma Cuba, uma Venezuela... As populações destes países estão escravizadas ou, no caso da Venezuela, em vias de escravização.
Em Portugal, sempre receei que a Geringonça seja uma ameaça à liberdade do povo português.
Veja-se, por exemplo, as alterações à Lei de Estrangeiros saídas há pouco tempo: um estrangeiro pode entrar em Portugal com uma simples promessa de contrato de trabalho e só será expulso se cometer crimes de terrorismo, sabotagem ou atentado à segurança nacional.

sábado, 5 de agosto de 2017

Vasco Pinto - candidato a presidente da Câmara de Alcochete

No desdobrável DAR+ A ALCOCHETE, confrontamo-nos com um texto assinado por Vasco Pinto.
Começa assim: "Somos candidatos porque acreditamos na nossa gente...".
Sim, é preciso acreditar, não no canto da sereia, mas no indivíduo, porque este, fonte de toda a liberdade contra o poder político absoluto, tem a primazia sobre o Estado na Civilização Ocidental Judaico-Cristã.
O parágrafo imediatamente a seguir, no seu último período, tem estas palavras: "Queremos que as nossas crianças e jovens aprendam a conhecer o nosso Concelho, porque só se ama o que se conhece"
"Conhece-te a ti mesmo" é a sentença do filósofo grego Sócrates que nos foi transmitida por Platão. Só nos podemos amar, isto é, respeitarmo-nos a nós próprios e aos outros, se nos conhecemos no bem e no mal, travando este, alargando aquele... como alargada deve ser "...a aprendizagem da nossa história, do nosso património e das nossa tradições".
Dando continuidade à leitura do texto sob comentário, poderemos ler: "[...], o processo educativo não se esgota na escola. Prolonga-se na vida das colectividades, nas estruturas desportivas e nas associações, cuja actividade importa, [...], dinamizar e apoiar.
Não se poderá transferir verbas públicas para aquelas colectividades que não apresentem um projecto de bem-fazer à comunidade. De outro modo, seria esbanjar o que é dos contribuintes.
O primeiro período do quarto parágrafo é uma frase sábia: "Queremos preservar a tradição sem travar a inovação".
Ignorar esta verdade (adequação ao real) é contribuir para a estiolação de qualquer sociedade. Vasco Pinto, ao subscrevê-la, posiciona-se contra todo o ideário de esquerda, privilegiando a vida contra a morte.
Vem depois a ideia de "...trabalhar a marca e a imagem de Alcochete..." a favor do investimento. Este é o único meio de criar verdadeiro emprego contra um poder político absoluto, fazedor de toda a pobreza.
O penúltimo parágrafo acaba com estas palavras: "As taxas são necessárias, mas devem ser socialmente justas e não constituir factor de afastamento, seja de pessoas ou seja de empresas".
Eis a candidatura de Vasco Pinto a defender a propriedade sem a qual não há liberdade, raiz da nossa Civilização.
Finalmente, defende-se "...uma autarquia que saiba trabalhar sem sujeição a calendários...".
Nada mais odioso do que, por exemplo, ordenar a datas a agenda das actividades culturais como se a verdadeira cultura de um povo se subordinasse a efemérides que celebradas hoje, poderão não sê-lo amanhã.
Estas são algumas das traves mestras do texto de Vasco Pinto. Com elas estou absolutamente de acordo em termos políticos, razão por que será na candidatura da coligação local PSD/CDS que eu vou votar.
Cada um tem que se assumir aos quatro ventos porque, nos tempos difíceis que correm, a falta de assunção de não poucas pessoas atenta contra a liberdade de todos.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O candidato comunista José Luís Alfélua

O candidato comunista José Luís Alfélua transporta-me para os tempos logo a seguir ao 25 de Abril de 74.
Alfélua é um homem cujas limitações intelectuais qualquer um com dois dedinhos de testa vê a milhas de distância.
Eu tinha-me apercebido, confrangedoramente, do que aqui digo aquando da exposição de um trabalho da Câmara da Murtosa na nossa Biblioteca sobre as murtoseiras que a meio do séc. XX vieram aos ranchos trabalhar para as secas do bacalhau em Alcochete. Minha mãe foi uma dessas mulheres que veio para a Pescal.
De tudo o que falou o vereador Alfélua atabalhoadamente, só me lembro de ter dito que a mãe veio também da Murtosa com outras mulheres, mas que não chegou a trabalhar nas secas.
Um homem manco de saber não pode ser um homem de poder. Outros exercerão esse poder por ele. Esta é a realidade.
Mas os partidos de esquerda invertem a realidade. Disso já sabia, há quarenta anos, o Jorge Velhinho. Uma vez, na Praceta Padre Cruz onde eu morava, deparei-me com ele a esperar pela Cândida que estava dentro da loja do Zé Ratinho e aproveitei para lhe colocar exactamente o problema de que era uma perplexidade para mim o facto de o Partido Comunista dar cargos de grande responsabilidade a pessoas simplesmente alfabetizadas.
Jorge Velhinho disse-me que eu não me deveria preocupar tanto assim; o importante eram os programas; que, de resto, se o Partido quisesse, poderia fazer do Paiuça o Presidente da Câmara.
A conversa com o Jorge Velhinho acabou; começam as minhas responsabilidades que estou disposto a assumir em sede própria.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O debate dos quatro candidatos à presidência da Câmara de Alcochete

Quando foi o debate dos quatro candidatos à presidência da Câmara de Alcochete no Forum Cultural, eu estava no Algarve, razão por que não estive presente nesse evento de grande importância política para todos os alcochetanos.
Claro que há sempre o recurso ao YouTube. Foi o que fiz.
Ora o que pretendo aqui fazer é deixar um apontamento sobre a prestação de Vasco Pinto que considero uma navalha de dois gumes.
Na esfera do subliminar, o eleitor poderá ser levado a uma das seguintes posturas não consciencializadas: a) se quase não houve hostilização por parte do candidato PSD/CDS ao da CDU, não é por Vasco Pinto que eu vou trocar o Alfélua. Comunistas ou sociais democratas e democratas cristãos, escolho os primeiros que já os conheço há quarenta anos. b) se quase não houve hostilização por parte do candidato PSD/CDS ao da CDU, Vasco Pinto aparecerá como a imagem do Alfélua. Comunistas ou sociais democratas e democratas cristãos, escolho os segundos a favor da evolução na continuidade.
Só no dia das eleições os votos nos dirão qual dos gumes da navalha prevaleceu sobre o outro.

sábado, 29 de julho de 2017

Candidatos à presidência da Câmara de Alcochete

Faltam dois meses para as eleições autárquicas.
Cada vez mais, tudo o que diga e faça um candidato só pode ter uma leitura que é a política.
Dos quatro candidatos que se apresentam em Alcochete, quem escolhe um deles para presidente da Câmara?
Resposta: os eleitores. Quando estes, manietados por alguns partidos políticos, desfilam pelas ruas a gritar "somos todos iguais... somos todos iguais... somos todos iguais", será que cada um deles, no fundo da sua consciência, acredita no que diz?
Sei no que me baseio: não acredita.
Ora os candidatos enfrentam um problema: o voto é individual.
Aí, o simples eleitor, confrontado consigo mesmo, recorda-se do candidato que, na campanha, baixou àquilo que ele é, vale dizer, àquilo que ele não quer ser, sentindo todo o peso da humilhação e percebendo a estratégia do engano.
Em conclusão, um candidato não pode deixar de ser a pessoa que sempre foi... para bem dele e de todos... mas há uma distinção entre um candidato a presidente de câmara e todas as outras pessoas. Não falo de separação. Falo de distinção.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Samantha

Este Verão fui para o Algarve mais cedo. No dia 21 de Julho já lá estava. Parti de Alcochete a meio da manhã, tomei cafezinho em Pegões, o martini em Canal Caveira e almocei na Mimosa. Geralmente não vou pela auto-estrada porque o que esta me cobra quase dá para o que minha mulher e eu comemos e bebemos ao longo do percurso. Vamos sem pressa, parando aqui para comprar um melão, mais à frente uma peça de olaria... assim pela estrada fora.
Quando chegámos a Silves, onde reside a Carla, minha sobrinha, professora, casada e duas filhas, a tarde ia pelo meio, o calor era muito. Estavam à nossa espera para nos irmos refrescar ao Clube Náutico, um bar nas margens do Arade, rio de calminhas, liso como um espelho.
Fomos recebidos entusiasticamente pelos donos, o Ivan e a Ana, marido e mulher, três filhas, coleguinhas das minhas sobrinhas-netas.
Sentámo-nos a uma das mesas e logo a Ana nos apresenta dois senhores, um deles o próprio pai, o pintor Joaquim Mendes, o outro o professor António Baeta, também fotógrafo de Silves, sua amada cidade.
O Joaquim logo atraiu a minha atenção porque já tinha exposto nas três freguesias do concelho de Alcochete, amigo da Fernanda Zeverino e do Fernando Enfermeiro, já falecidos, do Miguel Boieiro... por aí fora.
Joaquim é o que em inglês se diz um self made man. Timor foi um marco importante na vida deste artista. A postura de alguns homens que se diziam cristãos e católicos, contrária aos princípios do Cristianismo acentuou, de modo mais ou menos decisivo, a revolta deste homem contra a Igreja. Veio-me à ideia dizer ao Joaquim que o Cristianismo trava a natureza humana... não a transforma, mas se o fizesse poderia resfriar com a minha sentença o convívio ali à volta dos petiscos e um jarro de vinho tinto que o Ivan nos pusera à frente. Apenas me limitava a ouvir um homem de quase oitenta anos que tinha acabado de conhecer. O mesmo fazia o professor Baeta a distribuir a atenção pela conversa e por um cachorro branco que, para o fim, também petiscou do que tínhamos em cima da mesa.
Nisto, a Carla diz que convinha levantar arraiais porque o Nelson, o marido, estava quase a chegar do trabalho e o que queria era jantar... ao contrário de nós que talvez já tivéssemos perdido o apetite.
Despedi-me do pintor e do professor de matemática efusivamente. O Arade, sem ruído, sorrateiro, ia subindo pelas margens.
Ao jantar mais fingi comer do que comi. Combinou-se que, no dia seguinte, depois do almoço, partiríamos para a praia do Ferragudo.
Silves, neste Sábado, pelas três da tarde, é um forno, mas quando chegámos à praia fazia um vento que levantava a areia. Cada um de nós foi logo dar um mergulho e resolvemos acoitar-nos no apoio de praia ali a dois passos.
Algumas loiraças, de bikiny, sentadas, atiravam cada membro para cada lado. Venha imperial e melão com presunto para tudo escorrer melhor! Quem nos atendeu foi Samantha, a própria filha dos donos, amiga dos meus sobrinhos Carla e Nelson.
A história que Samantha contava à Carla, o Nelson e eu a ouvirmos, era que alguns minutos antes tinha ali encontrado o Tony Carreira. Houve abraços, beijinhos e fotos. À mistura também lágrimas. Eu ouvia, obrigado pelo respeito, o relato da Samantha, bela mulher de uns quarenta anos mas rosto de vinte, cabelos loiros, olhos verdes. Viria mais tarde a saber que o pai é português e a mãe inglesa.
Desta vez, o que não me lembro de muitas vezes o ter feito, bebi três imperiais seguidas, empurradinhas com melão e presunto. Havia também ovos cortados ao meio e salada... tudo muito bem servido, a Deus graças... ou à Samantha... ou aos dois juntos para sermos justos.
Bom!... Já tinha decorrido mais de uma hora. Despedimo-nos da Samantha e fomos outra vez para o Clube Náutico porque o Ivan fazia quarenta e um anos neste 22 de Julho e tinha-nos convidado para o jantar.
Seriam umas seis horas da tarde. Havia pouca gente no bar. Eu sentei-me numa mesa desocupada a acabar de ler Uma Abelha na Chuva de Carlos de Oliveira, obra sem sentido nenhum para mim. Mais teve A Casa de Eulália de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal) porque este dirigente comunista sabe posicionar-se bem entre as coisas... sob uma linha de pensamento racionalmemente coerente, embora não sendo a minha.
Prefiro, mil vezes, um discurso com cabeça, tronco e membros, ainda que contrário ao que eu penso, do que aquele outro a pesar mal os grandes movimentos da História Universal.
Chega a hora do jantar, já a noite tinha caído sobre o Arade. A montante, Silves iluminada. Na comprida mesa, eu fiquei de costas para a entrada. Ao grupo tinham-se juntado a Cátia e o Gil, um casal da Figueira da Foz que vive em Faro, pais babados com a Maria Miguel, uma bebé de dois meses.
As iguarias eram várias. O Nelson tinha ido a Aljezur arrancar percebes às rochas do mar. Eu não tenho paciência para me ocupar desta espécie de marisco, razão por que me debrucei sobre um grão com carne sem saber como era feito, mas bom como as melhores coisas que eu comi na minha vida.
Eu não prestava atenção ao que a extremidade da mesa à minha direita estava a falar. De repente, oiço uma voz a dizer que os homens não sabem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Levantei a cabeça do meu prato. Era a Samantha acabadinha de chegar... toda de preto.
Sem ganhar tempo para me refazer da minha perplexidade, vai a Cátia e diz:
- Só há duas coisas que os homens sabem fazer ao mesmo tempo: cagar e telefonar!...
- Discordo! - arrisquei timidamente.
- O senhor é de outra geração!
Baixei a cabeça para o meu grão, pitéu que repeti.
O calor das conversas voltou à mesa. Samantha comia percebes entusiasta, sempre sorridente.
Sempre a brincar, o Ivan, o Nelson e o Gil, cúmplices em mil aventuras, metiam-se com a Samantha:
- Ó Samantha, mas tu gostas do homem?... Estás apaixonada por ele?... Casavas com o Tony?...
Samantha parecia responder que sim... sempre a sorrir... sempre a sorrir... sempre a sorrir... O amor pode ser cruel, mas o sonho é livre.
Fazia-se tarde. Eu e a minha mulher fomos os primeiros a sair. Nas despedidas, eu disse a Samantha:
- Tive um grande prazer em conhecê-la e apreciei a sua história com o cantor!
- Quer um autógrafo? - perguntou, quiçá, britânica.
- Oh!... Não!...
E ela riu-se.



segunda-feira, 17 de julho de 2017

O professor José Francisco Caninhas

Mal me recompus da partida do Prof. José Francisco Caninhas porque este nosso patrício tinha um vasto leque de projectos sobre Alcochete para concretizar ao longo da merecida aposentação.
Um desses projectos ordenava-se à investigação da vida de Ciprião de Figueiredo (séc. XVI) para a biografia de um dos maiores filhos de Alcochete que fez frente a Filipe II a partir da Ilha Terceira.
Comigo, José F. Caninhas está ligado desde a publicação do livro de poemas Luz à Dor (1996) até ao lançamento do 1º vol. de As Festas aí Estão (2016), obra monumental deste insigne professor de Matemática.
José F. Caninhas, um dos poucos homens de saber em Alcochete, lutou sempre a favor das nossas mais lídimas tradições... contra aqueles que querem impor a morte da inteligência e instalar o reino da escuridão.
Na esfera do cristão consciente, José F. Caninhas partiu a saber que a Igreja caminha sobre um delgado fio de arame, mas que, por fim, Cristo triunfará. Eis a convicção profunda deste alcochetano incontornável que abriu a inteligência e a vontade às exigências do bem.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Festas aí estão!

Ao meu colega de profissão e amigo Prof. José Francisco Caninhas

As Festas do Barrete Verde e das Salinas, promovidas de ano a ano, em Agosto, pelo Aposento do Barrete Verde, associação fundada para esse fim em 1944, são um factor de união e revigoramento do povo alcochetano.
De algum modo herdeiras das Festas de Nossa Senhora da Vida, levadas a cabo pela última vez em 1935, as Festas do Barrete Verde e das Salinas, cujo mentor incontornável foi o alcochetano José André dos Santos, visam adequar essas tradicionais celebrações à nova realidade política do País, depois de três décadas de República.
Não há festa que perdure se não assentar em símbolos que radiquem no coração das pessoas... no caso concreto das Festas do Barrete Verde e das Salinas... no coração dos alcochetanos.
José André dos Santos, num rasgo de génio de máxima felicidade, pensou no Forcado e no Salineiro, ambos erguidos a património autêntico do povo alcochetano.
O Forcado é exemplo de coragem, nome mais comum para a virtude cristã da Fortaleza, sem a qual é duvidoso que o homem possa apelar à liberdade e justiça.
O salineiro encarna o valor do trabalho arvorado em centralidade pela ordem burguesa definitivamente consolidada em Portugal.
Estes dois ícones, ao fim e ao cabo, são um só, porque a coragem do Forcado é uma força que atinge o pico mais alto no sacrifício do Salineiro.
Aqui surge uma questão... tão marginal quanto falsa.
Ouve-se dizer com alguma insistência que salinas e salineiros estão a acabar. As pessoas interrogam-se: "como será depois?".
Ora o Salineiro, no contexto das Festas do Barrete Verde e das Salinas, é uma representação... um símbolo, escolhido por ser um dos trabalhadores que ganhava o pão para a boca, sua e dos seus, com esforço mais que humano.
Portanto, o Salineiro poderá sempre ser homenageado na figura física de um filho, de um neto... de qualquer alcochetano reconhecidamente merecedor dessa homenagem.
Finalmente, embora possamos dizer, sem forçar muito a realidade, que de Alcochete se vê Lisboa e que o Alentejo fica à distância de meia hora de automóvel, a verdade é que o alcochetano não é alfacinha nem alentejano. O alcochetano é ribatejano.
Assim, a homenagem à figura do Campino justifica-se plenamente por ser uma reclamação geográfica e cultural, uma vez que há forcados e salineiros em todo o Portugal e até além fronteiras, mas campinos só no Ribatejo.

sábado, 1 de julho de 2017

Alcochete e cabeças-de-lista a eleições

Antes de começar a escrever o que me proponho, devo dizer que este meu texto não está subordinado às minhas convicções políticas graças a Deus bem definidas, mas a uma análise objectiva de factos.
Escrevo pela ordem seguinte: PCP, PS e Coligação local PSD/CDS.
No dia da apresentação do candidato comunista à população, o barulho que ouvia dentro da minha casa era muito. Fui ver. O número de pessoas à frente do estrado não seria considerado o desejável pela candidatura em foco. Mas isto, tratando-se de comunistas, poderá não querer dizer muito. Seja como for, o José Luís Alfélua, se for o próximo presidente da Câmara de Alcochete, não é para mandar, mas para ser mandado pelo PCP. A ideia de que não é assim cai na ingenuidade política. O próprio Luís Franco, licenciado em Direito, foi um presidente mais virtual que real.
Fernando Pinto é um candidato a presidente da Câmara de Alcochete com garra. Tem voz. É socialista sem deixar de ser alcochetano.
A coligação local PSD/CDS parece encarar as coisas como se fossem favas contadas. Se o que digo tem alguma pertinência, o resultado poderá não ser tão bom como o merece Vasco Pinto, o cabeça-de-lista. Urge correr atrás de cada eleitor, por todas as freguesias do concelho, a convencer as pessoas contra os papões lançados pelos comunistas sobre as populações. No dia 30/06/2017, na Igreja da Misericórdia de Alcochete, Maria Luís Albuquerque e Nuno Magalhães bem desmascararam a mentira comunista para quem os quis ouvir.
Haverá ainda uma outra candidatura... mas sobre essa não me pronunciarei... porque uma aberração. Aberrantes são as pessoas que se servem ou possam vir a servir-se de um videirinho. Aqui, remeto para o texto em baixo "Um videirinho às autárquicas em Alcochete" de 7 de Junho/2017.



sábado, 24 de junho de 2017

Manuel Tiago é Álvaro Cunhal




Acima de tudo, dois pressupostos: a) não há absolutamente qualquer compatibilidade entre mim e o líder comunista Álvaro Cunhal e b) na análise a seguir tenho que ser intelectualmente honesto se não quero falsificar a minha posição de professor de Língua e Literatura portuguesas.

Desde já há muito tempo que venho pensando ler, ao menos, uma obra de Álvaro Cunhal. A oportunidade surgiu este mês quando encontrei, na feira realizada no Rossio de Alcochete, o livro Manuel Tiago, A Casa de Eulália, Edições Avante, Lisboa, 2002.
O texto está dividido em oito capítulos e estes em sub-capítulos: os números romanos são usados para os primeiros e os árabes para os segundos.
Os sub-capítulos são curtos. Também, lógica e predominantemente, as frases são curtas, seguindo-se umas às outras como rajadas de metralhadora. Veja-se esta pequena transcrição que faço da pág. 36, obra citada: «Caíam feridos de um e outro lado. Aqui e além prostrados no chão. Os combatentes não paravam para os socorrer. Seguiam adiante prosseguindo o avanço. Outros viriam ajudar os feridos». 
Aqui convém fazer uma chamada de atenção: as frases e textos curtos não diminuem o valor artístico nem a respectiva complexidade da obra cuja história de inocente não tem nada. É que estamos perante um texto literário que não deixa de ser um manifesto político.
O grande cenário desta narrativa é a guerra civil em Espanha. Madrid é a charneira e está nas mãos dos revolucionários.
O leitor verifica, a cada capítulo, que o partido sobrepõe-se, inexoravelmente, ao indivíduo. A este não são permitidas tergiversações, o que pode ser ilustrado pelo que se lê na pág. 174, obra citada: «Pensou, pensou e acabou por concluir que no fim de contas era o partido que colocava a questão e ele, como membro do partido, não devia recusar. Chegado a tal conclusão, começou a agir».
Os comunistas são os bons; os fascistas os maus. Esta dicotomia parece impedir o autor de ver que comunismo e fascismo são dois totalitarismos que não se separam, embora se devam distinguir: na verdade, o último (nacionalista) surgiu para combater o primeiro (internacionalista).
Nunca se ouviu dizer que o comunismo é uma ideologia do povo (uma cultura), mas sim de massa (mole informe). Eis por que no decurso do discurso não convém fazer distinção entre os dois conceitos. Repare-se neste passo da pág. 40, obra citada: «Com fogo cerrado de espingardas, o povo tinha cortado as estradas e descia pelas vertentes, fazendo recuar as tropas que, sob as ordens de oficiais fascistas sublevados, tinham saído dos quartéis para conquistar Madrid. António e Manuel avançavam com os outros, seguindo comandantes surgidos espontaneamente das massas».
As mulheres não deixam de fazer história nesta história. Madrecita é o elo de todos os hóspedes da sua casa, inclusive favorável ao enlace amoroso entre a sua filha Eulália e o português Manuel, um dos protagonistas.
A casa de Eulália é, simbolicamente, a grande casa ibérica que se consubstanciaria na união de Portugal e Espanha. Esta é a proposta do autor, velha como velhos são os problemas dos portugueses.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Um videirinho às autárquicas em Alcochete?

Sabemos há já algum tempo que a nível das próximas eleições autárquicas, em Alcochete, os comunistas vão concorrer à Câmara com José Luís Alfélua, os socialistas com Fernando Pinto e a coligação PSD/CDS com Vasco Pinto.
Francamente que esfrego as minhas mãos de contentamento... porque é agora que, pela primeira vez, se poderá ver a real força do comunismo em Alcochete.
Mas entretanto, também recordo com tristeza, que desde o 25 de Abril/74, havendo inicialmente motivo para entusiasmo, depressa vem um balde de água fria que tudo estiola.
Aparecerá um videirinho a concorrer às próximas eleições autárquicas que retirará votos à coligação e aos socialistas para se viabilizar a si e aos comunistas?
Para mim, um homem desses só vem baralhar o painel das candidaturas aos órgãos autárquicos nas próximas eleições locais.



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domingo, 4 de junho de 2017