sexta-feira, 7 de julho de 2017

As Festas aí estão!

Ao meu colega de profissão e amigo Prof. José Francisco Caninhas

As Festas do Barrete Verde e das Salinas, promovidas de ano a ano, em Agosto, pelo Aposento do Barrete Verde, associação fundada para esse fim em 1944, são um factor de união e revigoramento do povo alcochetano.
De algum modo herdeiras das Festas de Nossa Senhora da Vida, levadas a cabo pela última vez em 1935, as Festas do Barrete Verde e das Salinas, cujo mentor incontornável foi o alcochetano José André dos Santos, visam adequar essas tradicionais celebrações à nova realidade política do País, depois de três décadas de República.
Não há festa que perdure se não assentar em símbolos que radiquem no coração das pessoas... no caso concreto das Festas do Barrete Verde e das Salinas... no coração dos alcochetanos.
José André dos Santos, num rasgo de génio de máxima felicidade, pensou no Forcado e no Salineiro, ambos erguidos a património autêntico do povo alcochetano.
O Forcado é exemplo de coragem, nome mais comum para a virtude cristã da Fortaleza, sem a qual é duvidoso que o homem possa apelar à liberdade e justiça.
O salineiro encarna o valor do trabalho arvorado em centralidade pela ordem burguesa definitivamente consolidada em Portugal.
Estes dois ícones, ao fim e ao cabo, são um só, porque a coragem do Forcado é uma força que atinge o pico mais alto no sacrifício do Salineiro.
Aqui surge uma questão... tão marginal quanto falsa.
Ouve-se dizer com alguma insistência que salinas e salineiros estão a acabar. As pessoas interrogam-se: "como será depois?".
Ora o Salineiro, no contexto das Festas do Barrete Verde e das Salinas, é uma representação... um símbolo, escolhido por ser um dos trabalhadores que ganhava o pão para a boca, sua e dos seus, com esforço mais que humano.
Portanto, o Salineiro poderá sempre ser homenageado na figura física de um filho, de um neto... de qualquer alcochetano reconhecidamente merecedor dessa homenagem.
Finalmente, embora possamos dizer, sem forçar muito a realidade, que de Alcochete se vê Lisboa e que o Alentejo fica à distância de meia hora de automóvel, a verdade é que o alcochetano não é alfacinha nem alentejano. O alcochetano é ribatejano.
Assim, a homenagem à figura do Campino justifica-se plenamente por ser uma reclamação geográfica e cultural, uma vez que há forcados e salineiros em todo o Portugal e até além fronteiras, mas campinos só no Ribatejo.

2 comentários:

  1. Minha lembrança para Zé.
    Dejó-nos.
    Um abraço amigo.

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    1. Ele tinha mil projectos para Alcochete. Deixou-nos. Estamos mais pobres.

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